A importância da literacia em saúde para prevenir e tratar a diabetes

Beja Santos: A visão da saúde está em permanente mudança, os profissionais estão cada vez mais atentos aos valores da boa comunicação e ao significado da literacia em termos de promoção e tratamento das doenças. Os profissionais (médicos, farmacêuticos e enfermeiros) querem tratar os seus doentes como pessoas livres e esclarecidas, sabem que existem dificuldades de comunicação (sobretudo a quatro níveis: boa transmissão da informação; comunicação afetiva apropriada; adoção de atitudes que facilitem a empatia para uma boa comunicação; e o grau de literacia). É precisamente a literacia que capacita o indivíduo a obter, processar e compreender informação básica em saúde e saber usar serviços, tomando as decisões mais apropriadas ao nível da sua própria saúde. Daí as estratégias, em que os materiais educativos podem ter um papel crucial. Veja-se a divulgação sobre a diabetes, como ela contribui para prevenir e tratar adequadamente a doença.

É uma doença crónica caraterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. Uma percentagem cada vez maior da população está afetada pela diabetes. Ela resulta de uma deficiente capacidade de utilização pelo organismo da nossa principal fonte de energia – a glucose. Para que a glucose possa ser utilizada como fonte de energia a insulina é necessária. A hiperglicemia (o açúcar elevado no sangue) caraterística da diabetes deve-se, em determinados casos, à insuficiente produção de insulina, noutros à insuficiente ação da insulina e com muita frequência à combinação destes dois fatores. Existem dois tipos de diabetes: a tipo I e a tipo II. A diabetes tipo I tem início na infância ou na adolescência, se bem que possa aparecer noutras idades. Provocada pela falta de insulina no organismo, este tipo de diabetes não está relacionado diretamente com estilos de vida saudáveis, que é o que acontece na diabetes tipo II. No tipo I é vital uma terapêutica com insulina para toda a vida. A tipo II surge habitualmente em idades mais avançadas e é dez vezes mais frequente que a diabetes tipo I. A base do tratamento passa por uma alimentação cuidada e por exercício físico, se bem que seja necessário recorrer a comprimidos, insulina ou ambos. Os seus sintomas são menos evidentes que a tipo I e podem passar despercebidos durante muito tempo. É de perguntar quais os sintomas que estão associados à diabetes. Os mais frequentes são: urinar em grande quantidade e mais vezes do que o normal; sede constante e intensa; fome, por vezes insaciável; sensação de boca seca; fadiga; comichão no corpo (sobretudo ao nível dos órgãos genitais); e visão turva. Para o diagnóstico da diabetes é geralmente suficiente a realização de um teste à glucose no sangue, sempre feita em jejum.

Falemos da prevenção. Se em relação à tipo I pouco ou nada pode ser feito para prevenir, na tipo II uma alimentação apropriada, a manutenção de uma atividade física moderada são fatores que podem evitar ou adiar o aparecimento da doença. Em próximo apontamento aprofunda-se a diabetes tipo I e o aspeto crucial que são os cuidados com os olhos, quando se é negligente pode-se perder a visão.

 

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.