ADOLESCÊNCIA

Se existe idade em que a influência dos pais é importante,é após o estádio edipiano,dos 3 aos 6 anos,o periodo da adolescência entre os 14 e os 20 anos.
Existem aliás entre estas duas situações certas analogias.Em primeiro lugar,dá-se um impulso libidinal do desejo.Na adolescência o desejo do outro exige a satisfação doravante fisiológicamente realizável.O adulto afirma-se no adolescente.A proibição do incesto incita ao desapego definitivo dos laços infantis para permitir uma escolha selectiva fora da família.O adolescente tem pois de afirmar a sua autonomia,assumir a sua natureza sexuada,a sua orientação sexual,estabelecer novas relações e renunciar definiitivamente às relações infantis.
“Ser é muitas vezes aprender a ousar ser e a existir apesar dos pais”
Compreende-se que nesta situação em que o adolescente,portador de forças libidinais reforçadas deva aceder a um novo tipo de relação e encontre inevitáveis dificuldades.Encontra-se em primeiro lugar com os pais,quer esteja inserido numa família monoparental,heterosexual ou homosexual,frente aos quais se tem de situar de uma outra maneira.O adolescente descobre-se a si mesmo na autonomia e no dinamismo dos seus desejos reforçados.Descobre-se diferente do progenitor do mesmo sexo,e por esse motivo perde-o.Conhece a solidão e os riscos da liberdade.A maturidade afectiva tem de alinhar com a maturidade fisiológica e intelectual.
Esta mutação relacional é tanto mais delicada quanto o “EU” do adolescente se forma pelo jogo das imitações,identificações e oposiçõesàs imagens dos adultosTraz dentro de si múltiplas influências de uns e de outros,e a elas está ligado pelas pressões inter-subjectivas dos inconscientes.De modo que muitas vezes o adolescente é levado a uma atitude de oposição ou mesmo de revolta face ao mundo adulto para afirmar a sua autonomia através da omnipotência e da irreverência tão características e presentes na adolescência.Paradoxalmente,essas revoltas revelam um apego e laços profundos que o adolescente tem dificuldade em romper.É por sentir os adultos como uma potência que paralisa inconscientementea sua autonomia,que reage pela agressividade e pela ansiedade.
Num certo sentido,a revolta agressiva é preferível a uma submissão passiva e ansiosa.Os laços possessivos inconscientes entre as figuras parentais podem tecer-se entre as figuras parentais e os filhos,paralisando o filho ou a filha adolescente e assinalamos casos dramáticos em que o adolescente tenta escapar pelo suicídio ou pelo assassinato ao inconsciente abusivo dos pais e aos seus próprios fantasmas.
A passagem ao acto é bastante frequente no adolescente invadido por uma libido bruscamente enriquecida com as achegas da maturação pubertária.O “EU” que se encontra perante um importante trabalho de domínio pode por vezes ser ultrapassado,sobretudo se o meio,de modo especial os pais,lhe tornam mais penosa a realidade exterior a que tem de submeter os seus desejos e vontade.A delinquência juvenil nasce muitas vezes desta falta de domínio de uma energia interior dilatada e dos acting-out que pode suscitar.A delinquência pode também ser experimentada pelos fracos como um meio de afirmar uma autonomia pouco segura de si..
Fala-se com muita facilidade da revolta dos jovens ou do choque de gerações na adolescência como de um fenómeno actual.De facto se essa crise é mais aparente nos nossos dias,parece que se trata de uma crise que faz parte,pela mesma razão que o édipo,do desenvolvimento humano.O adolescente revive transpondo para o plano consciente e social,as situações e,de modo especial,a relação triangular edipiana a qual está presente tanto em famílias de casais heterosessuais como homosessuais como monoparentais,nestas últimas porque a figura que não está tanto presente vive igualmente no imaginário do adolescente.E esquece-se que às inseguranças do adolescente correspondem as inseguranças inconscientes das figuras parentais.Ver o filho ou a filha aceder à função do papel da sua orientação sexual pode trazer muitos sentimentos contraditórios.
Os adultos,neste caso ambas as figuras que desempenham os papeis de pais têm de vencer e ultrapassar o sentimento de “perder um filho”,de ver irremediàvelmente encerrado um passado familiar.Há sobretudo o sentimento profundo do seu próprio envelhecimento e de um render de gerações.Assim sendo devem assumir essas perdas e essas renúncias que atacam o seu narcisismo e a omnipotência dos seus desejos inconscientes.Importa pois que as figuras parentais tomem consciência da sua própria insegurança na relação com o adolescente,porque este sente inconscientemente essa surda hostilidade do adulto em face da sua promoção ao papel que por ele é escolhido.
Na adolescência,a necessidade de diálogo socializante revela-se particularmente importante.É a idade da amizade,dos diálogos íntimos.O adolescente deve poder viver as suas pulsões num plano consciente.Tem de confrontar os seus desejos com a realidade na sua actividade e nas suas relações.Precisa de superar a vida de fantasmas e submetê-la ao real.Se pôde superar na sua aprendizagem as angústias do primeiro desmame,pode mais fàcilmente tomar consciência dos seus desejos e tem necessidade de companheiros objectivos e capazes de ouvi-lo e compreendê-lo sem moralizar.

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