ANSIEDADE / STRESS

A ansiedade é um problema psicológico que se pode manifestar num sentimento de insegurança ou medo, traduzindo-se na vivência de expetativa em relação a um estado afectivo relativamente a algo que ainda não aconteceu e que faz parte do futuro.

Todos nós em algum momento das nossas vidas passámos por períodos de ansiedade, sem que se manifestassem sintomas patológicos. Existem, contudo diferentes graus de ansiedade.

Existe uma ansiedade chamada vital, que sendo uma reacção normal do organismo, funciona como sinal de alarme perante certos acontecimentos da vida quotidiana. Este tipo de ansiedade constitui o nosso sistema de defesa contra as modificações do meio e é necessária e adaptativa ao meio exterior.

A ansiedade também se pode manifestar em casos de existência de conflitos interiores, ansiedade sinal, sendo que a causa é desconhecida do sujeito e que se estiver controlada actua sobretudo como um estimulante, o que fisicamente se traduz numa descarga de adrenalina.

Na ansiedade sinal, a experiência do sujeito que a sente é vivida ao nível de uma inquietação psíquica, tensão emocional, insegurança e medo, que a nível do comportamento se manifesta por uma inquietude motora e uma manifestação de hiperactividade do sistema nervoso simpático.

A nível psicológico a ansiedade pode manifestar-se por nervosismo, inquietude, sentimento de mal-estar, tensão alerta e irritabilidade.

Fisicamente, a ansiedade pode traduzir-se em palpitações, taquicardia, opressão torácica, dificuldades respiratórias, tremores, sudação e náuseas; é a expressão somática da ansiedade.

Algumas áreas na nossa vida podem vir a ser afetadas, nomeadamente o sono, o apetite, falta ou excesso deste, e a líbido.

Pode-se dividir a ansiedade em dois tipos: a ansiedade dita normal é vista como uma resposta proporcional à ameaça, explicável em função do estímulo externo e que é uma ansiedade puramente reactiva ao estímulo externo, transitória e ocasional e com uma repercussão escassa na eficiência intelectual e no corpo. Tem uma dimensão claramente adaptativa.

A ansiedade patológica é uma resposta desproporcionada à ameaça e não explicável em função do estímulo externo ou, em alguns casos, não há sequer estímulo exterior, persistente e repetitivo e tem uma repercussão significativa na eficiência intelectual e corporal.

A ansiedade pode ainda ser caracterizada em três situações, dependendo da duração e intensidade:

– Crise: algo que aparece de repente, dura pouco tempo e pode voltar a repetir-se. É vivida a um nível somático. Por exemplo por ataques de pânico.

– Estado: é algo mais permanente, mais duradouro, menos intenso que uma crise, variável de intensidade de dia para dia, mas sempre num estado generalizado de ansiedade.

– Traço: o traço já faz parte da maneira de ser do sujeito e tem a ver com o seu perfil de carácter.

O stress é uma reacção de resposta às agressões da vida quotidiana, podendo ser desencadeado por múltiplos estímulos, físicos e psicoemocionais. Em termos gerais, ostress corresponde a um estado fisiológico de excitação que se pode manifestar por angústia.

As situações de stress permanente podem conduzir a doenças psicossomáticas.

Estudos realizados por Hans Selye (1956),canadiano endocrinologista vieram demonstrar que a resposta biológica desencadeada pelos diversos estímulos no nosso organismo é sempre a mesma, chamando a essa resposta de síndrome geral de adaptação. De acordo com Selye, a síndrome geral de adaptação processa-se em três fases. A fase inicial de alarme, descrita como o impacto inicial do agente agressor no organismo. Seguindo-se a fase de resistência orgânica, no caso do agente agressor no permanecer por um período mais prolongado, durante o qual os mecanismos de adaptação entrarem em acção tendo como objectivo o equilíbrio biológico do corpo, homeostase.

E por último, a fase de esgotamento, exaustão ou fadiga, resultado de um longo e intenso esforço durante o qual o organismo tentou alcançar a homeostase e a adaptação.

A tensão biológica está sempre presente na vida, mas em quantidade determinada. A dose estimulante e fisiológica de stress é diferente e específica de pessoa para pessoa. Dentro dos seus limites fisiológicos, o stress é um factor importante para a vida, mas se ultrapassar tais limites, passa a ser excessivo, implicando o desequilíbrio do nosso organismo e, até mesmo entrando numa esfera patológica.

Os sintomas indicativos do stress são, principalmente a nível psicológico um aumento significativo da ansiedade e/ou depressão, insónia, inquietação e a dificuldade de concentração. Alguns sintomas físicos são entre outros, o aumento do batimento cardíaco, cólicas abdominais e mal-estar gástrico.

Em resposta a uma situação de stress, uma emoção ou um perigo, o organismo activa principalmente dois mecanismos. Numa primeira fase, a glândula supra-renal liberta adrenalina e outras catecolaminas para lhe permitir estar pronta a reagir fornecendo muito rapidamente ao cérebro e aos músculos o máximo de energia. Após alguns minutos, entra em acção a hipófise e o córtex suprarrenal. O hipotálamo segrega uma hormona, a CRF (corticotrophin releasing factor), que estimula a hipófise. Esta liberta no sangue a ACTH (Adreno-Cortico-Trophin Hormone-corticotrofina) indispensável à secreção dos corticosteróides (p.e., cortisona e cortisol) pela glândula suprarrenal. O cortisol, conhecido por hormona do stress, é conhecido por ter uma acção hiperglicemiante. Em doses elevadas, estimula o catabolismo proteico (a formação dos aminoácidos).Quando o stress se prolonga, são segregadas quantidades elevadas de cortisol, que podem originar lesões do sistema límbico, implicado na emoção, bem como uma diminuição das defesas imunitárias.

Autor:

José António Machado Teixeira, Psicoterapeuta

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