COMO SE LIBERTAR DA CULPA?

A PSICOTERAPIA COMO MEIO LIBERTADOR E CURATIVO DA CULPABILIDADE DO INCONSCIENTE

Num acompanhamento psicoterapêutico de um homossexual, o sentimento inconsciente de culpa, ou culpabilidade inconsciente, é uma noção psicoterapêutica nem sempre fácil de entender, pela existência de uma certa incongruência normativa, pois é difícil admitir a realidade de sentimentos inconscientes, o que se sente é por definição consciente.

O que se sentiu é que pode ter mergulhado no inconsciente, e ficar como resíduo dinâmico condicionante e propulsor de atitudes ou comportamentos cuja motivação real permanece inconsciente: a culpa outrora sentida, e agora ignorada, é que persiste como motivo oculto da conduta atual que leva o sujeito a refugiar-se no “armário” ou mesmo a assumir atitudes homofóbicas, tanto nos elementos do sexo masculino como feminino, a fim de afastar de si as suspeitas da sua homossexualidade e no fim a procurar o tão desejado amor e aceitação que procura desesperadamente nos outros, familiares e sociedade em geral, como um pedido de desculpa por ser como é!

O conceito de necessidade de punição, equivalente ao de sentimento inconsciente de culpa, obedece a uma nomenclatura menos incongruente e adquire uma correção e clareza suficientes se acrescentarmos a necessidade de punição por motivos inconscientes, descrevendo assim, com precisão, o comportamento do chamado masoquismo moral.

Esta culpa inconsciente ou inconsciência de culpa ignorada como vetor no sentido físico preciso de força dirigida com expressão somática de toda a ansiedade e mau estar, de um modo mais lato do comportamento, vai inscrever-se por efeito da regressão, na conduta transferencial e de uma forma sondável pelo psicoterapeuta e reconhecível pelo sujeito, competindo ao primeiro encontrar, o momento preciso em que o perceber dessa culpa atuante pode coincidir com a capacidade do sujeito para a sua consciencialização.

Esse tempo, essa hora de interpretação, determina-se frequentemente pela coincidência de emoções atuais vividas na transferência com emoções de uma recordação do passado infantil, de uma fantasia ou de um sonho.

Em todo o processo psicoterapêutico, que é em si mesmo um ato de amor e de colaboração e trabalho de equipa entre psicoterapeuta e sujeito é fundamental a eficácia da interpretação do psicoterapeuta.

Raramente, no entanto, a interpretação eficaz é possível sem um conjunto de dados oriundos de vários contextos, que permita um enunciado suficientemente prenhe de significância.

Um ou escassos elementos concordantes são, em regra, insuficientes para produzir o efeito da evidência, são no entanto passos no caminho interpretativo, intervenções preparatórias e de aproximação que vão aludindo à meta final, ao significado preciso da ulterior interpretação, entretanto cuidadosamente elaborada que conduz à libertação, à plenitude do assumir da sua vida afectiva, da sua escolha por direito próprio e que só a psicoterapia eficaz pode garantir, evitando o recurso à depressão, a uma vida frustrante ou em último caso ao suicídio.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.