Dar esperança a quem sofreu um AVC | Beja Santos

Dar esperança a quem sofreu um AVC

 

Beja Santos

 

“De repente um AVC”, por Marian Smith, Chiado Editora, 2013 é um testemunho de alguém que pretende dar esperança a todas as pessoas que sofreram um AVC – Acidente Vascular Cerebral. Em jeito de introdução, uma médica neurologista, Raquel Gil Gouveia, explica a situação da patologia. O risco anual de sofrer um AVC aumenta com a idade e também está relacionado com o aumento de prevalência dos conhecidos “fatores de risco vascular” (hipertensão, diabetes, aumento do colesterol, obesidade e arritmias cardíacas). Abaixo dos 55 anos, as causas do AVC podem ter outros fatores predisponentes, como sejam o tabagismo, a utilização de drogas ilícitas, a existência de doenças genéticas ou inflamatórias, algumas das doenças congénitas do coração e alguns agentes infeciosos que danificam as artérias”. E, mais adiante: “A recuperação é lenta e depende da parte do cérebro que não foi afetada pelo AVC. A parte saudável tem que ser treinada a desempenhar funções para as quais não está preparada, para além de manter as funções que sempre foram desempenhadas. Quanto mais danificado está o resto do cérebro, mais difícil é a recuperação. Quando maior foi o empenho e o treino, maior é a probabilidade de recuperar”.

É um testemunho na primeira pessoa de alguém que foi vitimado em 2007 e que continua a lutar todos os dias para viver o melhor possível. De uma noite para o dia, ficou paralisado o braço do lado esquerdo e a mão esquerda sem força bem como a perna e o pé do mesmo lado. Diz ter perdido tudo: emprego, estabilidade económica, independência física. Tinha 49 anos e teria de aprender a viver um dia de cada vez. Ganhou o repto.

Conta a história da sua vida até aquela manhã em que acordou muito indisposta, com dor de cabeça e sem se poder quase mover. Foi para uma unidade hospitalar onde lhe disseram a verdade: era um AVC. Fora vítima de um AVC isquémico – agudo por disseção da carótida direita, a artéria carótida tinha rompido por dentro. Começou cedo a fisioterapia, recebeu apoio psicológico. A primeira fase, não pode dispensar a cadeira de rodas. A casa vai sendo adaptada às suas limitações, começa por necessitar de ajuda para as mais simples tarefas, meses depois impus a si própria andar com a ajuda do tripé. Praticou terapia ocupacional, sentiu-se bem com hidroterapia e teve sucesso com um conjunto de sessões de acupuntura seguidas de sessões de tui na massagem/manipulação. Um ano depois do AVC, recuperava a olhos vistos, conseguia caminhar na areia de braço dado e em Março de 2009 conseguiu andar sem auxílio de tripé. Melhorou a movimentação na anca esquerda. Mantiveram-se algumas dificuldades, ganhou confiança em si. Termina dizendo que chegou aonde chegou com muita confiança em quem a tratava, perseverando, recebendo muito carinho e apoio. “A todos, se um dia tiveram a infelicidade de passar por um momento como este não aceitem ficar inválidos, façam tudo para se autonomizar, façam tudo para estarem bem psiquicamente”.

 

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