Grande desafio na educação: ensinar os limites do consumo às crianças

Beja Santos: Na educação do consumidor, tem sido dado um papel de relevo à problemática infantil. Logo, crescer em segurança, evitando acidentes nos primeiros anos de vida, ajudando a prevenir quedas, queimaduras, intoxicações. A APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, tem tido um papel importante. O mesmo se dirá da Direção-Geral do Consumidor que publica brochuras sobre a segurança das piscinas, o papel dos auxiliares de flutuação que por vezes podem ser produtos perigosos e alertando para a segurança das piscinas por parte dos fabricantes e operadores. O mesmo se dirá da segurança dos brinquedos, a legislação europeia procura proteger a criança mediante exigências de produtos seguros no mercado.

Mas o processo educativo para sensibilizar as crianças do papel do consumo nas suas vidas é bem mais complexo, não pode viver ao sabor de campanhas de segurança, envolve a comunidade, os meios de comunicação, a ética empresarial, pais e todos os educadores, tratamento claro e explícito por parte do Estado.

Deram-se passos importantes, as crianças sabem o valor do uso da água, da repartição dos lixos, a importância da alimentação saudável. Mas continua em falta um programa consistente que atravesse todo o sistema educativo e que garanta a este jovem cidadão a sua participação como consumidor responsável nos planos social e ambiental, a aprender as vantagens em conhecer os limites, a olhar para qualquer compra e a medir o seu significado; a saber ponderar a importância da brincadeira com os outros em vez de estar horas e horas envolvido com computadores e jogos media, e mesmo televisão; a saber distinguir o que é francamente útil na alimentação, no vestuário, na higiene, no conforto doméstico, na cultura e no entretenimento, a saber optar pela simplicidade, a ter satisfação em trocar, oferecer, a desligar os botões e entrar em contato com a natureza. Um programa assim depende de um amplo contrato, faz-se de múltiplos desafios, onde a ética dos empresários tem um peso determinante, eles são indispensáveis com o respeito por uma publicidade e um marketing que estejam atentos aos fatores de obesidade, à erotização precoce, a fazer prevalecer o primado dos valores e do ar livre, das brincadeiras criativas e onde se erradique a violência ou a adultização na infância.

Todos não seremos demais na educação do jovem consumidor, o tal processo complexo que conta com a educação cívica, os objetivos do desenvolvimento sustentável, aprender a cuidar do futuro. Uma eminente personalidade portuguesa, Maria de Lurdes Pintassilgo, coordenou um relatório da ONU sobre a qualidade de vida onde falava da pobreza, da habitação, da demografia e incitava a economia mundial para um novo modelo de produção e consumo que garantisse a satisfação das necessidades básicas e direitos à qualidade de vida, traduzíveis em direitos económicos, sociais e culturais, políticos e cívicos, abolição da discriminação e direitos da criança, dando a maior atenção às determinantes da saúde. É esta educação para o consumo que poderia contribuir para termos cidadãos mais saudáveis, no corpo e no espírito, mais bem-sucedidos na alegria da realização das suas aspirações, no curto, médio e longo-prazo.

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