MEDICAMENTOS NÃO PRESCRITOS: QUEM VAI AO MAR AVIA-SE EM TERRA

Mário Beja Santos

Medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) são todos aqueles que podem ser comprados sem receita do médico. A dispensa do medicamento com conselho é o momento capital que cimenta a confiança entre o utente e o seu farmacêutico. Não há medicamentos inócuos, prescritos ou não prescritos. O conselho significa que o farmacêutico irá apurar, quando o utente pretende um medicamento, elementos como: os sintomas que apresenta (exemplo: tipo de tosse, com ou sem expetoração); a idade; outras doenças que tenha (hipertensão, diabetes, asma…); outros medicamentos que esteja a tomar para tratar uma doença crónica ou outra; as sensibilidades individuais (alergias, intolerâncias gástricas; as reações adversas decorrentes do uso de medicamentos (diarreia, dores de estômago, prisão de ventre…). Mas há mais, muito mais.

Quem fala nestes medicamentos não prescritos associa imediatamente com a automedicação, prática que só serve para prevenir e tratar sintomas e doenças ligeiras que não requeiram a consulta médica. E há muitas situações em que automedicação está desaconselhada. O farmacêutico avalia toda a terapêutica que o doente está a fazer. Lembra-se que em doenças crónicas como a diabetes, a epilepsia, a hipertrofia da próstata, a doença de Parkinson, a insuficiência cardíaca, o glaucoma, entre outras é indispensável uma escolha fundamentada dos medicamentos a tomar em automedicação.

Acha que estamos a ser exigentes nas precauções? Nesta época de constipações e gripes, veja um problema muito comum de saúde, o nariz entupido. Para o aliviar, é preciso saber se foi provocado por uma constipação, por uma rinite, sinusite, alergia, etc. A escolha depende sempre do que se pretende tratar e da natureza do doente. Havendo escolhas entre gotas para aplicar o nariz e comprimidos para tomar, como escolher? É que a escolha não depende só do que nos parece mais interessante, mas das doenças que cada um pode ter e da composição dos medicamentos. E quer ver uma coisa? Para escolher entre comprimidos e as gotas de aplicação no nariz é preciso ter em conta que os comprimidos não devem ser tomados pelos hipertensos, por pessoas com má circulação, doentes cardíacos, com arritmias. Nestes doentes, as gotas podem ser usadas por poucos dias e com precaução. Há ainda a considerar nos comprimidos as substâncias da sua composição.

Moral da história: trate-se com segurança, converse com o seu farmacêutico, exponha o seu quadro clínico, com absoluta franqueza. E nunca saia da sua farmácia sem informação completa e clara sobre a toma dos medicamentos que acaba de adquirir. No mar alto da doença, aviar-se em terra é saber que os medicamentos que vai tomar tiveram dispensa personalizada.

No próximo texto falaremos de um inquérito efetuado em farmácias finlandesas, os resultados apontam para problemas graves relacionados com práticas de automedicação sem aconselhamento farmacêutico, fica bem claro muitas vezes os doentes ficam mais doentes quando não se socorrem do profissional de saúde mais acessível, está ali mesmo à mão de semear, é o técnico do medicamento que dá pelo nome de farmacêutico.

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