Na idade sénior: cuidados redobrados na toma de medicamentos

Beja Santos: Os seniores, na maioria dos casos, padecem de várias doenças de tipo crónico e utilizam várias terapêuticas. Acontece que o sénior conhece alterações orgânicas e funcionais que exigem cuidados especiais na toma de medicamentos: é o caso da função renal das variações da pressão arterial, do que ocorreu no sistema nervoso central. É do senso comum que quanto maior for o número de medicamentos que uma pessoa toma, maior é a probabilidade de surgirem interações entre eles.

Com o envelhecimento, ocorrem alterações orgânicas e funcionais que são responsáveis por eventuais aumentos de sensibilidade e acumulação de substâncias presentes nos medicamentos. As alterações funcionais que podem ter implicações no efeito do medicamento devem-se especialmente ao facto de neste grupo etário a acidez gástrica ser menor, o que pode modificar a absorção de alguns medicamentos. É também frequente a diminuição dos movimentos intestinais, o que contribui para uma absorção mais lenta dos medicamentos. O sénior tem baixo nível de proteínas no sangue, o que provoca implicações na distribuição dos medicamentos que se ligam a estas proteínas. E há mais, o sénior tem proporcionalmente maior quantidade de gordura em relação à massa muscular, o que pode condicionar a acumulação de medicamentos que se ligam mais à gordura, prolongando o seu efeito.

E à medida que a idade progride, os rins reduzem progressivamente a sua atividade. Como os medicamentos e os produtos resultantes da sua inativação são eliminados pelos rins, a diminuição da função renal faz com que o medicamento seja acumulado, com probabilidade do aumento do seu efeito ou de maior toxicidade. Convém esclarecer que esta questão da toma de medicamentos pelos seniores é da maior importância para uma vida saudável, o que implica que o sénior procure saber mais, e saber mais é perceber a adesão terapêutica, ter curiosidade em perceber que o envelhecimento altera inevitavelmente a resposta à toma do medicamento (uma área do conhecimento científico a que se chama farmacocinética), assim como a ação do medicamento no organismo também se altera (outra área do conhecimento a que se chama farmacodinâmica). Nesta primeira abordagem queremos só dizer que há alterações fisiológicas no idoso que têm impacto na resposta à toma do medicamento. Recorde-se que há alterações no esófago e no estômago (diminuição da secreção salivar e do movimento gástrico), no intestino (perda da área mucosa do intestino delgado), no fígado (redução do tamanho do fígado), no trato urinário superior (diminuição da massa renal), e tudo conjugado há alterações na absorção de medicamentos, há riscos de intoxicação. Daí a importância fundamental em conversar com o médico, em saber o horário das tomas, em pedir aconselhamento ao farmacêutico no ato da dispensa dos medicamentos, em saber conversar com o seu enfermeiro.

Há cada vez mais seniores, procuremos que eles tenham uma vida com mais qualidade, que saibam reconhecer que ser idoso é saber mais sobre os medicamentos que se tomam.

 

 

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.