Notícias

04 – Evento LGBTI+

O Colectivo LGBTI Viseu convida todas as pessoas interessadas a participarem na Sessão Pública sobre a 2ºMarcha pelos Direitos LGBTI+ de Viseu. A sessão terá lugar dia 23 de Março pelas 16h na Sede do Núcleo do SCP de Viseu.

Deixamos o link do evento do Facebook, caso considerem pertinente a divulgação.

Link: www.facebook.com/events/2151833004924933/

Deixamos também o link do Facebook da organização.

Link:www.facebook.com/lgbtiviseu/

13/03/2019

 

 

03 – Lançamento de livro

Hoje, dia 10/03/2019 está a lançar o livro “o futuro é só amanhã” de Miguel Agramonte, na biblioteca São Lázaro, a mais antiga biblioteca de Lisboa, desde 1883.

 

SINOPSE

Nascido e criado no interior Norte de Portugal, Pedro começa a sentir a sua terra natal demasiado pequena, à medida que vai conhecendo outras pessoas e realidades. Cedo conclui que há algo de diferente nele e tudo se precipita, quando menos espera. No momento em que se reencontra, de uma coisa tem a certeza, não irá abrir mão do seu sonho. As viagens geográficas que empreende são fundamentais para uma jornada muito mais admirável, a sua viagem interior. No desenrolar deste livro, que nos deixa sem fôlego, Miguel Agramonte envolve o leitor ao longo de vários anos da vida de Pedro. Talvez os anos mais marcantes da sua vida, de qualquer vida, começando no final da sua adolescência, quando tudo começa a ser descoberto. Nele, o autor entrelaça várias personagens e suas vivências, transportando-nos para o início dos anos 2000, com as idiossincrasias económicas, sociais e tecnológicas do Portugal de então, em especial da comunidade LGBT+.

Um livro marcante, uma diáspora inesquecível.

Link: www.facebook.com/opusdiversidades/posts/2315542838503710?

10/03/2019

 

02 – A relação entre Portugal e Brasil: o que estes professores tem a dizer

O seu programa Vidas Alternativas entrevistou dois dos nossos colaboradores – um português e o outro brasileiro – para ouvir deles o pensam da relação entre Portugal e Brasil.

António Serzedelo, português nascido em Lisboa, tem 73 anos, professor de História, Jornalista, fundador e líder da ONG Opus Diversidades, atualmente também vogal (vereador) junto à Freguesia de Arroios.

Marcelo Pombo Fernandes, brasileiro de Curitiba, tem 50 anos, professor e psicanalista, Mestre em Teologia, estuda em Portugal onde está a completar seu segundo Mestrado, desta feita em Antropologia.

 

 

O que pensa Portugal a respeito do Brasil?

António: Adoro ir ao Brasil, adoro os brasileiro, adoro a comida brasileira, adoro o amor brasileiro. Posto isto, tenho muito medo de sair de casa no Brasil., porque são tantos os avisos de perigo… cuidado com o relógio, cuidado com os óculos, com a carteira, com as pulseiras, com os sapatos se forem de marca, com o seu dinheiro, que o melhor seria ir ao Brasil e ficar trancado dentro de casa. Mas na verdade me arrisco. Saio muito e gosto muito da paisagem brasileira.

Os brasileiros são para mim menos preconceituosos e menos formais que os portugueses, mais abertos e com mais sentido de humor. Com relação ao sexo, acho que são menos complexados, mais bissexuais que os portugueses, de uma forma positiva…. porque talvez os portugueses também o sejam, mas de forma negativa. Também tenho a impressão de que por me verem como português, com Euros e com certa idade avançada, soam as campainhas todas de que aqui há um saco com dinheiro.

António: “Os brasileiros são para mim menos preconceituosos e menos formais… Com relação ao sexo, acho que são menos complexados, mais bissexuais.”

Marcelo: Parece haver uma confusão de sentimentos e impressões. Portugal admira e inveja as cores, a alegria e a música brasileiras (antigamente também o futebol – não mais), mas despreza o seu povo. O brasileiro é visto, pela parte menos esclarecida da população portuguesa – que talvez seja a maioria – como um grupo de interesseiros. As mulheres ainda são vistas como presas fáceis pelos homens ou como sedutoras que querem roubar seus maridos, pelas mulheres. Portugal não se sente responsável pelo Brasil ou sequer parece perceber que tem com ele tanta familiaridade e semelhanças. Há que acontecer um segundo descobrimento do Brasil por parte de Portugal.

O que um brasileiro deve saber a respeito de Portugal? Quais erros mais comuns que os brasileiros cometem?

António: Devem saber que a burocracia é o forte dos portugueses. que tem que trazer toda a papelada em duplicado, tudo bem registrada e carimbada para não levantar nenhuma duvida a respeito de sua autenticidade. Deve saber que se quer vir para cá deve trazer, por motivos de doença, o famoso PB4 e também algum dinheiro para justificar a sua estadia por aqui. Deve saber que se for de cor branca, terá mais facilidade do que se tiver cor africana ou de outra cor. Deve saber que se tiver estatuto universitário terá mais simpatia do que se for trabalhador braçal.

Há de estar ciente de que existem brasileiros cá que exploram os brasileiros e que os alguns portugueses, se puderem, os explorarão também de forma muito indigna. Por outro lado, se se tratar de uma mulher, acham sempre que estará sempre aberta a qualquer a qualquer programa, se não assumirem ser já uma garota de programa. Em todo caso, há brasileiros e brasileiras que marcam a pauta cá e grande parte deles sabem que são muito sedutores com seus corpos, sendo morenos ou não.

Marcelo: “Portugal não se vê como pátria-mãe do Brasil, sequer como parente. Portugal jamais ‘gerou’ um país – saqueou-o. E estão conscientes disto.”

Marcelo: Que há mitos e esteriótipos em ambos os lados do oceano. Os brasileiros são vistos com desconfiança, não espere braços abertos. Poucas coisas soam mais falsas para um português do que o deslumbramento e alegria brasileira ao chegar aqui, saudando a ‘pátria-mãe’. Portugal não se vê como pátria-mãe do Brasil, sequer como parente. Portugal jamais ‘gerou’ um país – saqueou-o. E estão conscientes disto. Trate-os com um certo distanciamento e permita (ou exija) respeito. Mas não queira ser português, continue sorrindo. Evite, entretanto, os abraços e a adulação. Mais uma coisa: não venha a Portugal esperando encontrar o primeiro mundo. Portugal está muito mais para um diminuto Brasil do que para uma Inglaterra ou Dinamarca. Desorganização, gente falando alto, burocracia e corrupção existem em todos os lugares. Mas, por outro lado, encontrará um povo que vive em paz, educação de qualidade, ruas limpas e maior civilidade no trânsito.

O número de brasileiros querendo imigrar para Portugal tem aumentado, principalmente a partir de 2016. Ele é bom ou mau para Portugal?

António: Portugal precisa de imigrantes e de mão de obra. Em Portugal a natalidade é muito baixa. Neste contexto, todos os estrangeiros, sejam da América Latina, da Asia ou do Médio Oriente deveriam ser bem-vindos. Os brasileiros são mais bem-vindos porque já falamos a mesma língua. Mas se isso é para eles um fator positivo, para os locais não o é, porque tem medo que lhes roubem os trabalhos. O que é fantasia, porque há emprego para todos, sendo que os portugueses não querem fazer alguns.

No meu meu entender o fenômeno é positivo. Inclusive a maior comunidade estrangeira em Portugal é de brasileiros. Mas o preconceito faz com que se o brasileiro cometer um pecado, acabam por ser todos que estarão agarrados a este pecado mortal por causa dele. Preconceito de um povo que foi colonizador por muito tempo e que ainda não largou a capa de colonialismo.

Marcelo: Imigração é sempre positiva se as pessoas recém-chegadas conseguem se misturar à população. E Portugal precisa de imigrantes: apenas 3,8% da população local é feita por pessoas não nascidas no país (para efeitos de comparação, nos EUA são 13%, na Alemanha, 12,3%, na Espanha 11% e na Suiça, 23%). E a população portuguesa está diminuindo. Com menos portuguesinhos nascendo, para que a economia não retroceda e o país literalmente acabe, há que se abrir as portas. O desafio é não perder sua identidade portuguesa e integrar os novos moradores, porque os filhos destes serão, assim como os seus, portugueses legítimos.

08/03/2019

01 – Visitar o Monumento contra a Homofobia em Lisboa

Poucas pessoas sabem que em Lisboa (na praça do Príncipe Real) existe um belo monumento contra a homofobia – um dos maiores da Europa. Poucos membros da comunidade LGBT+ sabem da sua existência ou, se sabem, não lhe dão importância.

Os membros desta comunidade foram duramente perseguidos durante os séculos XIX e XX (Portugal foi um dos primeiros países a condenar criminalmente os homossexuais, em 1852). A Homossexualidade deixou de ser crime neste país apenas em 1982.

O jovem Carlos Bignotti, brasileiro de 18 anos, a visitar nosso país, aproveitou para conhecer o monumento e o Vidas Alternativas conversou com ele.

VA: O que te levou a colocar a visita ao Monumento contra a Homofobia em seu roteiro?

Carlos: Eu estou a visitar os sítios mais relevantes em Portugal. Vim aqui para ver meu namorado que faz Mestrado em Lisboa. Ele me falou deste monumento e eu fiz questão de conhecer. Às vezes nós não damos valor à nossa própria história e esquecemos o que foi. Como já disse alguém… quem não conhece seu passado, não prepara o seu futuro.

VA: O que sabes sobre a história da luta LGBT em Portugal?

Carlos: Quase nada. Acho que nada, na verdade. Mas sei por este monumento que eles sofreram perseguição. E hoje são livres. Posso andar de mãos dadas nas ruas com meu namorado. As pessoas podem até olhar estranho, mas ninguém diz nada. Isso já é tolerância… talvez não estejam totalmente habituados, mas vocês já chegaram a um patamar que espero que, um dia, o Brasil também chegue.

VA: E o que achou do Monumento? Qual foi sua impressão?

Carlos: Olha… a praça é bonita, mas o monumento me parece esquecido em um canto. Ele é muito bonito e me disseram que simboliza um homem saindo de dentro de um armário. Tem beleza e humor. Mas está em um canto apagado, sujo. Foi pichado. Merecia umas luzes, um pedestal…. aposto que as pessoas que frequentam a praça nem tem ideia do que ele significa. Poderia também estar melhor explicado.

 

O Vidas Alternativas agradece ao jovem Carlos pela entrevista e também ao senhor Antonio Serzedelo que encampou a ideia de levantar-se este Memorial. E parabéns ao escultor Rui Pereira, responsável por dar cabo ao projeto.

Vidas Alternativas também deseja ver este Memorial recebendo a atenção e o respeito que merece. Para que a história não seja jamais esquecida.

Link: https://www.facebook.com/VidasAlternativas1/insights/?section=navPosts

02/03/2019