Quedas, trambolhões e tropeções | Beja Santos

Quedas, trambolhões e tropeções

 

Beja Santos

 

O interesse pela literacia em saúde é felizmente cada vez maior. Pela literacia, a dimensão cívica na gestão da própria saúde irá contribuir para que a promoção em saúde aumente graças aos conhecimentos do indivíduo sobre prevenção da doença, autocuidados, lidar com a doença crónica com toda a competência possível, por exemplo. Está em curso no ministério da saúde um projeto de literacia em saúde que valoriza o papel do cidadão, produzindo uma biblioteca digital de que neste momento já está disponível gratuitamente o livro “Tropeções, quedas e trambolhões” em www.biblioteca.sns.gov.pt , cuja leitura vivamente se recomenda.

As quedas têm um enorme peso na saúde e na qualidade de vida, são a segunda causa mundial de morte por lesões acidentais ou não intencionais, afetam predominantemente os maiores de 65 anos. São definidas como acontecimentos involuntários que nos fazem perder o equilíbrio e cair no solo ou noutra superfície. A Organização Mundial de Saúde trata as quedas com um importante problema mundial de saúde pública. A idade é dos principais fatores de risco das quedas. Segundo dados dos EUA, de 20 a 30% dos seniores registam nas suas quedas lesões moderadas ou graves, de hematomas a fraturas ou traumatismos crânio-encefálicos. As crianças são outro grupo de risco, com as suas quedas em ambiente doméstico e em áreas de lazer.

Na prevenção dos riscos recorda-se que há fatores a ponderar, caso do consumo de álcool e drogas, transtornos neurológicos, efeitos colaterais dos medicamentos, problemas cognitivos, visuais e de mobilidade, entre outros.

É na prevenção que se podem montar estratégias que deem eficácia à redução de elementos que propiciam as quedas. Nessa prevenção ter-se-á em conta as políticas que criem ambientes mais seguros, em se fomentem medidas técnicas que levem à eliminação de fatores que possibilitam as quedas, etc. Estes programas eficazes de prevenção deverão atender a vários componentes que ajudam a identificar e alterar os riscos: exame do ambiente em que vive a pessoa; intervenções clínicas para identificar fatores de risco, caso da medicação, tratamento da hipotensão e até a administração de suplementos; exame do espaço doméstico e alteração do ambiente nos casos em que são conhecidos os fatores de risco; programas comunitários que possam inserir a prevenção das quedas, de ginástica da manutenção, exercícios de equilíbrio dinâmico; em casos particulares o uso de protetores à volta da cintura para pessoas propensas a riscos de fratura da bacia. Estas estratégias podem incluir intervenções eficazes para prevenir as quedas das crianças, basta pensar na proteção obrigatória que a lei prevê para os recreios escolares e parques infantis; igualmente podem ser relevantes as campanhas educativas com a sensibilização de fatores nem sempre associados à prevenção das quedas que é caso da atividade física, do equilíbrio, do bom uso do calçado.

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