Sensibilizar as crianças para a importância do medicamento

Beja Santos

O livro intitula-se “Atento ao Medicamento”, texto de Carla Maia de Almeida e ilustrações de João Fazenda, Pato Lógico Edições e Ordem dos Farmacêuticos, 2016, a partir do ambiente de bairro, entra-se numa farmácia, ouvem-se conversas díspares, fazem-se pedidos impróprios para a saúde que são motivo para preparar a conversa com as crianças, justificadamente deve ser formada desde tenra idade para a especificidade desse bem de consumo que se distingue completamente dos outros, e por várias razões: não há dois doentes iguais, a toma de medicamentos é sempre personalizada; a farmácia deve contribuir determinantemente para a adesão terapêutica e a responsabilização do doente; a criança deve cedo reconhecer que só se tomam antibióticos por prescrição médica e em certos casos concretos; os medicamentos carecem de boa conservação, para não se deteriorarem… E há muito mais a saber para se crescer a respeitar e a valorizar o medicamento, que é tudo menos inócuo.

Em “Atento ao Medicamento”, por texto e imagem prepara-se um conjunto de ações de formação que podem ter bons resultados para cimentar a cidadania na saúde. Voltando ao tema da conservação dos medicamentos, escreve-se que estes medicamentos precisam de ter os seus cuidados de saúde, tal como as pessoas. As variações de temperatura e de humidade não lhes fazem bem, não gostam de demasiada luz ou calor. Devem ser guardados preferencialmente num armário alto (fora do alcance das crianças), num local fresco e seco. Atenda-se que há medicamentos quer precisam de cuidados especiais, devem ser mantidos no frigorífico – é o caso das vacinas, da insulina e de alguns antibióticos. Explica-se o que é uma farmácia familiar e seguidamente fala-se do aconselhamento farmacêutico e da adesão à terapêutica.

É muito importante saber como usar os medicamentos. E por isso se diz às crianças que há medicamentos que só se podem comprar com receita médica e outros que podem ser aconselhados pelo farmacêutico e que são os medicamentos não sujeitos a receita médica. O utente de saúde deve ser capaz de fazer deles o melhor uso. Por exemplo, no caso dos comprimidos, cápsulas e drageias, o melhor é tomá-los sempre com água, o café, o leite e outras bebidas podem intervir no seu efeito. O medicamento em pó que está dentro das cápsulas pode fazer mal, ou não fazer efeito, se ingerido diretamente; e em caso algum se deve abrir as cápsulas. Tal como as cápsulas, os comprimidos não devem ser esmagados, mastigados ou partidos, exceto quando o médico ou o farmacêutico o recomendam (é por isso que alguns já trazem um pequeno corte ao meio). Os xaropes costumam trazer um doseador, mas uma colher pode servir a quantidade equivalente. Recorda-se que uma colher de chá é igual a 5 mililitros, uma colher de sobremesa igual a 10 mililitros e uma colher de sopa igual a 15 mililitros.

Uma criança tem tudo a ganhar em saber que não há medicamentos inócuos, todos eles podem ter efeitos secundários, sejam medicamentos prescritos ou não prescritos pelo médico. Prevenir possíveis efeitos secundários é uma das razões pelas quais não se devem tomar medicamentos sem indicação do médico ou do farmacêutico.

Em caso algum devemos aceitar a banalização do medicamento, como tantas vezes insinua a comunicação publicitária. E o livro dá o exemplo dos medicamentos não sujeitos a receita médica à base de paracetamol, muito usados para combater febre e dores ligeiras ou moderadas, podem afetar gravemente o fígado, se foram usados diariamente ou em quantidades excessivas, podem ser tóxicos e mesmo fatais.

Há muitos medicamentos que não podem ser administrados a crianças. Um dos mais comuns, o ácido acetilsalicílico, só deve ser dado a partir dos 12 anos. As crianças não são adultos em ponto pequeno! Não se devem partir os medicamentos de outras pessoas em pedações mais pequenos. Embora animais e humanos partilhem muitos medicamentos, outros há que não podem ser administrados a animais. Estes têm uma distribuição de gordura, músculo e água completamente diferente da dos humanos. Só o médico veterinário poderá fazer o diagnóstico e prescrever o tratamento para o seu animal de estimação.

Adesão terapêutica é sinónimo de que não se deve interromper a medicação, nem as tomas, nem saltar horários. A rotina na toma de medicamentos pode ser da maior importância. Por exemplo, convém tomar os medicamentos para a hipertensão mais ou menos à mesma hora.

Ser doente crónico (por exemplo, ter diabetes desde pequeno) é tão importante fazer um uso correto dos medicamentos como adotar hábitos que levem a um estilo de vida mais saudável: praticar atividade física, dotar-se de um regime alimentar apropriado e procurar viver com estilos de vida saudáveis.

Neste livro “Atento ao Medicamento” também se sensibiliza para a importância dos medicamentos genéricos, pois permitem poupar milhões de euros ao Estado e aos utentes. A poupança gerada pela utilização de genéricos permite investir em medicamentos inovadores, com ganhos na esperança e na qualidade de vida das pessoas.

Depois se mostrar como se organiza o espaço da farmácia, esta atrativa publicação destinada à sensibilização das crianças recapitula as principais ideias a reter para ser bom cidadão na saúde: cuidar da conservação dos medicamentos; nunca aumentar ou diminuir a dose do medicamento e os horários são para cumprir; manter o medicamento dentro da sua embalagem para não haver confusões e para que alguém possa ler o folheto informativo e ajudá-lo a interpretá-lo; respeitar as indicações sobre a toma e nunca tomar medicamentos que foram receitados para outras pessoas; no caso de medicamentos sob a forma de pomadas ou cremes, não se deve encostar a bisnaga à arte do corpo que se está a tratar, pois pode contaminar o medicamento. O mesmo vale para os colírios.

Há medicamentos que anulam ou alteram o efeito de outros. Também alguns chás e suplementos alimentares podem interferir. Deve avisar-se sempre o médico ou o farmacêutico de tudo o que se está a tomar. E por fim uma última mensagem: alguns medicamentos são para tratar e outros para prevenir. Mas para promover mais saúde, em crianças ou adultos, é fundamental ter uma alimentação saudável e fazer exercício físico.

Obra indicada para encarregados de educação que lidam com crianças.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.