Um breve guia para uma vida longa

David Agus é um oncologista de renome mundial. Habituado a algumas vezes por semana comunicar a doentes seus que já não dispõe de mais armas no seu arsenal para combater aquele tipo de cancro, decidiu passar a escrito um conjunto de mensagens sobre como viver de maneira a ser saudável: “O meu objetivo é ajudar a tirar partido da sua saúde, independentemente de estar ou não a combater uma doença neste momento. Encorajo-o a analisar com profundidade a forma como encara a saúde e abrir a sua mente a uma mudança de perspetiva”. Assim surgiu um breve guia para uma vida longa, por David B. Agus, Editora Pergaminho, 2015. A obra tem três seções fundamentais: aquilo que está ao nosso alcance de fazer para construirmos os alicerces da nossa saúde; o que devemos evitar porque pode prejudicar a nossa saúde; e uma listagem de recomendações que deverão estar na ordem do dia, consoante a faixa etária.

Naquilo que devemos fazer, o oncologista propõe que comamos comida verdadeira, o mesmo é dizer que devemos fugir dos alimentos processados, temos boas regras de higiene, aderir ao plano de vacinação, ter uma atividade física sistemática, seguir à risca o calendário de exames de rastreio, saber lidar com as doenças de forma inteligente, manter as doenças crónicas sob controlo, cuidar da informação alimentar. Sobre este último ponto, o autor dá um exemplo: “Os peixes de águas frias, como o salmão, a sardinha, o atum, a truta, o arenque, o bacalhau e a cavala são excelentes fontes de proteína de boa qualidade, gorduras saudáveis e vitaminas e minerais naturais. Tente comer no mínimo três refeições semanais deste tipo de peixe. Cinco porções de legumes e peças de fruta diariamente ajudam a prevenir a ocorrência de doenças crónicas, já para não falar na diminuição de risco de obesidade.

Quanto àquilo que se deve evitar, importa reconhecer o papel da literacia e como podemos ter sucesso desde que dominemos o elementar dessa literacia no campo da alimentação. Se lemos no rótulo que há gorduras trans, espessantes, concentrado de sumo de fruta, alto teor de sódio, não podemos estar com ilusões de que praticamos um regime alimentar adequado e equilibrado. Lembre-se que a comida verdadeira não traz uma lista de ingredientes, não tem um prazo de validade alargado, mas é a comida preferível. Devemos evitar o que intoxica no mesmo modo como devemos fugir das queimaduras solares, dos saltos altos, do consumo elevado de carne vermelha, do tabaco, etc. Esta literacia pode contribuir para desfazer mitos como as vantagens da liquidificadora. Há quem acredite que tudo se deve triturar na liquidificadora, sejam legumes sejam frutas. O autor questiona: “Será que o nosso corpo aprecia realmente consumir dez cenouras de uma vez. A questão que se impõe responder é se os nutrientes originais desses alimentos, agora num copo de sumo, se mantêm ou não inalterados. Não me parece”.

David Agus reserva a terceira parte do seu livro a listar recomendações de acordo com a faixa etária, e é também minucioso quanto às medidas que servem para reduzir o risco da doença e exemplifica: comer comida verdadeira e a horas regulares; evitar tomar vitaminas e suplementos a não ser nos casos de indicação médica. Desmonta igualmente os mitos mais comuns sobre a perda de peso: emagrecer requer esforço, só as metas realistas o ajudarão a perder peso, se for demasiado ambicioso em relação aos seus esforços para perder peso, está condenado a falhar, se procurar emagrecer rapidamente, também vai falhar. E à guisa de roteiro dá-nos também listas dos principais alimentos ricos em gorduras trans, em açúcar, com índice glicémico mais elevado, as principais causas de intoxicação alimentar, as principais medidas a tomar durante os meses mais frios do ano e dicas sobre a atividade física.

O oncologista tudo escreve num tom informal e cativante, a clareza não falta também, tal como a concisão e a evidência. Temos aqui um bom guia para dar os primeiros passos na literacia em saúde.

Beja Santos

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