Vidas Alternativas 23/03/2015
23 Mar 2015 |

Temas de Beja Santos

Um grande desafio para a cidadania na saúde-3

Um grande desafio para a cidadania na saúde-3

Saber gerir a doença crónica e aderir à terapêutica

Beja Santos

Portugal tem bons indicadores de saúde: o aumento da esperança de vida em Portugal superou a média da UE; o consumo do tabaco é também inferior à média da UE, o mesmo se poderá dizer do consumo do álcool e são indesmentíveis os aumentos registados na taxa de obesidade de crianças e adultos. Está bem identificado que um quarto do peso da doença em Portugal se deve a fatores de risco comportamentais (tabagismo, consumo do álcool, hábitos alimentares e inatividade física).

Estamos confrontados com o envelhecimento crescente, os doentes crónicos portadores de mais de uma doença, altamente medicados e nem sempre disciplinados: estudos independentes e fiáveis revelam que é muito baixa a adesão terapêutica, quando esta é essencial para se conseguir um controlo adequado da doença, implicando sempre que o doente entenda e aceite a medicação conforme é prescrita. São desafios enormes, que ameaçam a sustentabilidade financeira do SNS. Escreve-se num relatório sobre o perfil de saúde do país em 2017 que um dos principais desafios é o da garantia da sustentabilidade financeira: “Grande parte das despesas do sistema de saúde está relacionada com a prestação de cuidados a pessoas afetadas por doenças crónicas, o que faz com que a sustentabilidade orçamental seja dificultada pela ausência de uma estratégia global para enfrentar os custos dos cuidados de saúde decorrentes do envelhecimento, em especial das doenças crónicas”.

Daí os governos lançarem-se afanosamente a tomar medidas que levem a uma melhor gestão da doença crónica graças à melhoria da adesão terapêutica. Todos os profissionais de saúde são convocados para esta tarefa, referira-se o que está a mudar por toda a Europa quanto à prestação de serviços nas farmácias. Há décadas que nas farmácias se prestam cuidados farmacêuticos, desde medir a tensão arterial até à troca de seringas, sem nunca esquecer que faz parte da ética farmacêutica nunca dispensar qualquer medicamento sem conselho. Mas agora a questão é acompanhar o doente com caráter de permanência e daí as experiências. O que está a ser mais frequente são os programas em que os farmacêuticos acompanham doentes portadores de doença crónica nos casos em que se introduz um novo medicamento na terapêutica. Perguntará ao leitor se estas iniciativas são mesmo importantes. Sabe-se que caminha para 9 milhões por ano na Europa o número de admissões hospitalares não planeadas, por reações adversas aos medicamentos, e aqui pesam as admissões devidas a problemas relacionados com medicamentos dos quais 70% respeitam a pessoas com 65 anos ou mais que estão polimedicadas e sujeitas, por isso, a polifarmácia, um desafio permanente para o médico que avalia os sintomas e indica a posologia dos medicamentos com o objetivo de prescrever o tratamento mais adequado. Há situações delicadas, por exemplo a toma de dois medicamentos da mesma família como os analgésicos/anti-inflamatórios é perigosa, já que estes medicamentos atuam no organismo de modo similar, podendo potenciar os seus efeitos, daí a necessidade de evitar a prescrição excessiva.

A gestão apropriada de doentes polimedicados levará a poupanças, está rigorosamente comprovado. A farmácia comunidade de saúde acessível à população pode otimizar os cuidados farmacêuticos e preparar os doentes para agir com maior autonomia. Do que se está a passar no campo experimental ou já consagrado por protocolo em vários países, iremos seguidamente dar conta.

 

(Continua)

Beja Santos

January 12th, 2018

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