Um muito bom exemplo do que é a informação em saúde | Beja Santos

Um muito bom exemplo do que é a informação em saúde

 

Beja Santos

 

É do senso comum que não há medicamentos inócuos, a escolha do medicamento está dependente, em tantos casos, de uma boa comunicação entre o profissional de saúde e o doente. A questão é tão mais delicada quando falamos de doenças crónicas em que a medicação prescrita ou é alvo de rumores ou preconceitos ou há o risco, por diferentes fatores, da pouca adesão à terapêutica por parte do doente. A Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas dispõe de uma publicação dirigida aos seus doentes (recorde-se que é bem possível haver um número aproximado de 200 doenças reumáticas). O seu número de Julho a Setembro de 2017 é exatamente reservado à adesão terapêutica, e diz-se que esta implica que o doente entenda e aceite a medicação conforme é prescrita. A presidente desta Liga observa: “O metotrexato é um dos tratamentos considerados mais seguros e eficazes no tratamento da artrite reumatoide, artrite psoriática, artrite idiopática juvenil e espondiloartrites. Porém, vários estudos indicam que os doentes não seguem o tratamento conforme o recomendado. Porque a informação sobre os mecanismos de ação, estratégias para lidar com efeitos secundários e vigilância para reações adversas é importante para desmitificar receios associados a um medicamento utilizado em quimioterapia, entendemos dedicar esta edição a tal medicamento”. Um reumatologista explica a importância do metotrexato, o que é e como atua, qual é o objetivo do tratamento nas doenças reumáticas, em que doenças reumáticas pode o metotrexato ser utilizado e como deve ser tomado e quais os efeitos adversos e como são evitáveis. E faz-se um resumo dos cuidados que o doente reumático deve ter com a toma deste medicamento: a toma deve ser semanal; deve ser feita suplementação com ácido fólico; não deve ser tomado por mulheres grávidas ou que estejam a amamentar; mulheres em idade fértil a tomar metotrexato devem realizar método contracetivo eficaz, já que este pode induzir malformações graves no feto ou no bebé; em mulheres que pretendam engravidar, a toma deve ser interrompida pelo menos três meses antes da conceção. A grande mensagem a reter é que este medicamento é fundamental no tratamento de várias doenças reumáticas inflamatórias crónicas. Tal como qualquer outro medicamento, pode ter efeitos adversos e existe cuidados a ter durante a sua toma. No entanto, os benefícios ultrapassam claramente os riscos e médicos e doentes devem vê-lo como um importante aliado, não apenas para controlar os sintomas da doença reumática, mas também para evitar a destruição das articulações e a incapacidade. Uma doente depõe: “Encaro os efeitos secundários como um mal necessário e esta forma de os encarar é a minha arma mais poderosa. Sinto um mal-estar geral, um cansaço enorme e muitas náuseas nos dois dias seguintes à toma. Faço tudo com mais calma, vou mais devagar… Mas vou! As úlceras na boca não são agradáveis, nem o cabelo mais fraco, mas há coisas tão piores!”.

Estamos perante uma informação-modelo que devia merecer a atenção de qualquer associação de doentes. A adesão terapêutica é um ponto culminante da responsabilidade do doente, do seu empoderamento, da sua cultura do medicamento, do seu interesse em viver melhor comunicando melhor com os profissionais de saúde e tratando a literacia em saúde como um dos assuntos mais sérios da vida quotidiana.

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