Uma boa comunicação para mais ganhos em saúde | Beja Santos

Uma boa comunicação para mais ganhos em saúde

 

Beja Santos

 

“Comunicação em Saúde Pública”, por Isabel de Santiago e J. Pereira Miguel, Edições Esgotadas, 2017 é forma de livro da I Conferência de Comunicação em Saúde promovida pelo Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública em 2015.

São de reter, pelas vantagens que podem advir para doentes crónicos, promotores e utentes de saúde, consumidores e até profissionais de saúde, um conjunto de considerações expendidas e que naturalmente a obra desenvolve.

Logo comunicação e saúde pública. “Saúde Pública tem muito ao ver com promoção, proteção da saúde e prevenção da doença. Mas estas noções nucleares dependem de outras ditas habilitadoras, onde se inclui a comunicação. Não podemos falar de literacia em saúde, de escolhas informadas dos cidadãos, do combate às desigualdades em saúde, esquecendo a comunicação. É preciso um emissor capaz, uma mensagem adequada, um recetor atento e os produtos adequados para que a estratégia de comunicação em saúde seja eficaz. É preciso saber comunicar as boas e as más notícias”.

Numa intervenção sobre o vírus de Ébola, um dos oradores fez uma chamada de atenção para os seguintes aspetos: a) no nosso tempo é importante reconhecer que se determinadas circunstâncias são identificadas (caso das alterações biológicas dos agentes patogénicos) e não houver uma intervenção apropriada, atendendo à grande mobilidade das populações, aos costumes locais que podem exacerbar a morbilidade e a mortalidade, o que poderia ser um surto limitado pode transformar-se numa epidemia de grande dimensão e incontrolável; b) os esforços clássicos para controlar uma epidemia, nos tempos atuais, não são suficientes para uma epidemia desta dimensão, é necessária uma resposta a larga escala, com a coordenação humanitária, social, em saúde pública e médica, combinando várias intervenções, sempre atendendo à cultura das sociedades; desenvolvimento de métodos de diagnóstico, terapêuticas e vacinas para estas doenças relativamente raras, dando prioridade a testes quando ocorrem as epidemias.

Outro orador, refletindo sobre a literacia para a saúde, disse que esta assume um papel relevante no incremento da resiliência individual e social. A área dos estilos de vida é fortemente determinada pelos níveis de literacia para a saúde. Reconhece-se que as pessoas com baixo nível de literacia para a saúde e com doenças crónicas são menos capazes de cuidar de si, fazendo mais uso dos serviços de saúde. Todas as metodologias preconizadas pelos investigadores recomendam processos que envolvam educar e entreter no campo da saúde, assim se conferirá um valor global na capacitação do indivíduo. Temos fundamentalmente duas abordagens: uma que aumenta as competências para o cidadão tomar boas decisões, particularmente os doentes crónicos; outra que se traduz num processo de aprendizagem a partir da infância que leva à consciencialização das capacidades de compreensão, gestão e investimento, favoráveis à promoção da saúde. O Estado moderno deve apostar nestas duas abordagens, somadas saldar-se-ão em impressionantes ganhos em saúde.

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